A vida com um xing ling

A vida com um xing ling

“Quinta-feira, 10 de junho. Às 7h28 descobri que era verdadeira a promessa de que aquele seria um dos dias mais frios e cinzentos do ano. Acordei dois minutos antes do que deveria, pois a tarefa de me despertar tinha trocado de responsável. Escalado no lugar do meu surrado Palm Treo Pro com Windows Mobile, quem iria me acordar era um autêntico celular xing ling comprado na Santa Ifigênia, rodando algum sistema compatível com Java. Minha missão era passar 15 dias vivendo só com ele.

A ideia foi começar os testes usando uma função muito legal do folclórico HiPhone: para poupar bateria, ele pode ser ligado e desligado em horários predefinidos. Não confiei nisso e quebrei a cara, ele funcionou direitinho. Ligou sozinho e tocou seu alarme na hora certa. Essa foi uma das raras vezes em que o smartphone funcionou como deveria. Logo no primeiro SMS que precisei responder, a tela “sensível” e o teclado virtual mostraram o que estava por vir. Com os dedos, é impossível acertar as letras, e a stylus (que também é a antena!) não resolve o problema. Melhor responder numa ligação mesmo, apesar da baixa qualidade do som.

O mais irritante problema foi a difícil relação entre o xing ling e o cartão de memória. Ele conseguia ler arquivos, mas não fazia isso com todos os programas. Para ouvir música, teria de ser uma por vez, por meio do tosco gerenciador de arquivos — e como fazer isso correndo no parque? O sistema ignora a existência do MicroSD. E isso também impede que o HiPhone cumpra uma de suas funções mais atraentes, que é gravar o conteúdo exibido pelo seu sintonizador de TV. Fiquei só na vontade de gravar os jogos da Copa. Além da imagem com fantasmas e chiados, o celular tem menos de 1 MB de memória interna…

E os fones de ouvido? Além do material vagabundo, eles têm o fio curto. Nem pensar em colocar o aparelho no bolso. Mais um acessório digno de nota foi o par de baterias. Logo que compramos o aparelho, há quase um ano, ele teve mais fôlego do que um iPhone original — apesar das preocupantes temperaturas. Hoje em dia, uma das baterias parou de funcionar e a outra aguenta bem pouco. Nem dá para medir direito a duração, porque o telefone desliga sozinho. Apesar de tudo, é preciso elogiar o carisma do HiPhone. Tirá-lo do bolso é garantia de risadas e da curiosidade de quem está por perto. Mas eu mesmo só me peguei rindo quando desisti de ficar os 15 dias vivendo só com o xing ling. Simplesmente não deu. No quinto dia de testes, coloquei-o no banco de reservas — de onde ele nunca deveria ter saído.”

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